Os calouros do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA) entraram na vida acadêmica já com lição de solidariedade e sustentabilidade. Os novos alunos terão, nos próximos dias, uma tarefa que busca provocar maior sensibilidade e consciência sobre o papel que podem ter para as transformações sociais e ambientais.

A Ecogincana (Trote Sustentável) é uma iniciativa do UNICURITIBA e envolve as turmas calouras do primeiro semestre de 2014. Durante quase dois meses, os alunos se mobilizarão para recolher a maior quantidade de "lixo eletrônico" – televisores, computadores, celulares, rádios, entre outros eletroeletrônicos descartados ou obsoletos. A pesagem total arrecadada será doada à Associação de Catadores de Resíduos Sólidos de Colombo (RESOL), o que se transformará em fonte de renda para as 15 famílias envolvidas na Associação.

A ação está em sintonia com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), do qual o UNICURITIBA é signatário, voltado a empresas comprometidas em alinhar suas operações e estratégias com os dez princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

E são dados da própria ONU – por meio do primeiro mapa global sobre lixo eletrônico (E-waste World Map), divulgado em dezembro de 2013 – que alertam para um cenário preocupante, quando se trata de geração e destinação do e-lixo. Segundo o mapa, a geração desse tipo de material quase alcançou a marca de 49 milhões de toneladas em 2012, representando 7 kg por habitante. A continuar nesse ritmo, o planeta teria que suportar 65,4 milhões de toneladas de e-lixo em 2017, total suficiente para encher 200 edifícios como o Empire State, nos EUA. Na América Latina, o Brasil produziu 1,4 milhão de toneladas de e-lixo – o equivalente à média global de 7 kg por habitante – e só perdeu para o México, que gerou 9 kg por pessoa.

"Ao chamarmos a atenção de nossos alunos para essa problemática, estamos mostrando que a formação profissional por si só não basta. Ela deve estar associada ao compromisso social, a uma maior responsabilidade com a realidade que os cerca", explica a Profª Cíntia Rubim, supervisora do Núcleo de Pesquisa e Extensão Acadêmica (NPEA), departamento do UNICURITIBA responsável pela Ecogincana.

As turmas calouras participantes deverão se inscrever no NPEA e recolher e armazenar o máximo de lixo eletrônico que conseguirem, até a data da cerimônia de pesagem e premiação – dia 22 de março, às 9 horas, no estacionamento do Câmpus Milton Vianna Filho (Rua Chile, 1.500). A pesagem será feita em parceria com a RESOL e a turma vencedora receberá, além de dez horas de Atividades Complementares garantidas pela participação, troféus e mais uma carga de 20 horas complementares.

QUAL A DIFERENÇA?
Como possuem substâncias químicas em suas composições (chumbo, cádmio, mercúrio, berílio, entre outros elementos tóxicos), o lixo eletrônico pode provocar contaminação de solo e água, com danos irreparáveis à saúde e ao meio ambiente. Segundo o Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente –, há ainda outra preocupação: a enorme quantidade de recursos naturais envolvidos na produção de lixo eletrônico. "Um único laptop, por exemplo, exige 50 mil litros de água em seu processo de fabricação. Além disso, se considerarmos que a vida útil desses equipamentos é muito curta – a de um computador gira em torno de três anos, e a de um celular, cerca de dois anos – pode-se ter a dimensão da quantidade de lixo que o descarte de eletrônicos significa", alerta o GEA.