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Prof. Marcos Masetto aborda desafios da docência no Ensino Superior

A 2ª Semana Pedagógica do UNICURITIBA contou com a presença do Prof. Dr. Marcos Masetto para a palestra de abertura: “Metodologias ativas fazem diferença na docência universitária”. Na ocasião, o Prof. Dr. Masetto concedeu uma entrevista à Instituição sobre o assunto. Marcos Tarciso Masetto é licenciado em Filosofia pela Faculdade Anchieta de São Paulo, possui Mestrado e Doutorado em Educação e em Psicologia da Educação pela PUC-SP (1982). Defendeu sua Livre-Docência na Faculdade de Educação da USP. É professor-associado e livre-docente aposentado da Faculdade de Educação da USP. Atualmente é professor titular da PUC-SP.

UNICURITIBA – O professor poderia comentar a importância da atualização constante dos docentes?

Prof. Masetto – Um evento como a Semana Pedagógica do UNICURITIBA pode ter duas características, portanto duas vantagens. Uma é na hipótese de que os professores tenham pelo menos uma ou duas oportunidades ao longo do ano para que possam se reunir e trocar ideias, bem como experiências sobre a docência. Devem trazer o que fazem e entendem em sala de aula, com exemplos de ações que deram sucesso e até mesmo daquilo que não deu tão certo e tiveram que modificar. Também é uma boa chance de encontrar colegas que estão vindo de outras instituições, sejam os convidados do evento, sejam os docentes que estão ingressando no UNICURITIBA. Essa troca sensibiliza os professores para continuarem entusiasmados e motivados para continuar cada vez mais seu trabalho como docente. Outra situação interessante é que o encontro semestral se realiza paralelamente a um apoio continuado da Instituição a seus docentes, que têm outras atividades que reforçam as possibilidades de inovações dentro de suas atividades. Esses encontros semestrais promovem atividades e trocas de experiências que enriquecem cada dez mais o repertório dos professores participantes.

UNICURITIBA – Como o senhor percebe o papel do professor do Ensino Superior na contínua atualização de experiências e conhecimentos?

Prof. Masetto – Hoje tem aumentado significativamente a procura dos professores por atualização e busca por inovação. Percebo que há uma demanda muito grande das instituições de Ensino Superior por realizar encontro com professores no modelo como o que o UNICURITIBA realiza todos os semestres. Um pequeno exemplo para se ter uma ideia: apenas nas férias de julho participei de oito encontros em oito diferentes instituições para trabalhar com professores sobre diversas temáticas. Essa situação não é apenas comigo. Vejo diversos colegas no mesmo cenário, além da intensa produção de livros, artigos e outros conteúdos sobre a importância da atualização e do papel do professor em sala de aula. Por isso, podemos dizer que é um bom momento e de boa abertura para se pensar e reavaliar o Ensino Superior no Brasil, o que antes não existia há 40 anos. Hoje, estive em reunião com os coordenadores dos cursos de Graduação do UNICURITIBA e percebi que o encontro terá uma continuidade ao longo do semestre, pois há expectativa de continuidade dos novos projetos pedagógicos para os cursos.

UNICURITIBA – Quais são os principais desafios dos docentes do ensino superior?

Prof. Masetto – Conforme apresentei na palestra, os desafios que levantei se restringiram aos desafios de docente, ou seja, os de sala de aula, porque é justamente aí que eu encontramos o problema mais importante a ser discutido. Nós temos no Brasil mais de 200 anos do mesmo tipo de perfil de professor no Ensino Superior. Esse modelo vem da organização dos cursos superiores no País, feita quando Dom João VI veio para cá. O modelo que foi criado naquela época, o francês-napoleônico, manteve-se praticamente igual até hoje com poucas modificações. Então ainda temos um perfil muito tradicional do docente que é o professor que entra em aula, é expert em determinada área, é um profissional com práticas de êxito do mercado de trabalho e vem para a sala de aula para comunicar isso ao aluno. O estudante por sua vez precisa aprender isso e reproduzir os conhecimentos e experiências em suas provas para ser aprovado. O grande desafio nosso hoje é justamente mudar esse esquema. O professor precisa ser alguém que tenha domínio de uma área e de sua prática no mercado, mas em sua docência, em primeiro lugar, ele precisa ser um planejador de situações de aprendizagem. O aluno deve trabalhar com os outros alunos para aprender, portanto construir sua formação. Para mudar isso é preciso mudar a postura do professor em sala de aula. Ele precisa ser alguém que trabalhe com o estudante em sala de aula. Deve fazer a integração do aluno entre o que o professor sabe e o que o aluno precisa saber. O docente não pode dar para o aluno as coisas prontas, ele precisa ensinar o aluno a buscar o conhecimento. Essa mudança, além de uma nova postura, exige que o professor aprenda a lidar e dominar certas técnicas com que ele não está acostumado a lidar: as metodologias ativas, apresentadas na palestra para os professores do UNICURITIBA e do Colégio Novo Ateneu.

UNICURITIBA – Dentro desse desafio, qual é o papel do aluno?

Prof. Masetto – Esse desafio para os professores traz como consequência uma necessidade de mudança por parte do aluno também. É fundamental hoje que o aluno venha à universidade para aprender a ser um profissional competente e um cidadão. É preciso que se quebre a cultura de que o aluno vem à universidade para obter um diploma. Isso precisa ser derrubado completamente. O aluno precisa ir à universidade para aprender e para aprender é preciso trabalhar. Precisa participar, precisa dedicar-se. O aluno precisa aprender a reconquistar o espaço da aula, da universidade; além disso, valorizar o tempo e o dinheiro investidos na universidade. Sem participar, sem deixar de ser passivo e só ouvir o professor, o estudante não se tornará um profissional relevante para o mercado.